sábado, setembro 05, 2009

bolo de chocolate fácil e gostoso



bolo de chocolate! quem não gosta? por incrível que pareça, eu! na verdade, não é que eu não goste, mas choco me faz mal, muito mal. sorte de quem pode.

eu nunca fui muito boa para doces. aí, minha amiga adriana sugeriu esta receita. ela disse que até eu conseguiria fazer. acreditei e fiz. não é que deu certo? esta é a versão petit, mas fiz um maiorzinho para o níver do meu maridão no ano passado.



-250g de manteiga

- 2 xícaras de açúcar

- 4 ovos inteiros

- 2 xícaras de farinha

- 1 xícara de chocolate em pó

- 1 vidro de leite de coco

- 1 colher de sopa de fermento



bater a manteiga com o açúcar;

acrescentar os ovos um a um;

misturar bem para acrescentar o restante dos ingredientes

deixar o fermento para o final.



só!

para decorar use chantily com morangos. simples, fácil e delicioso!

cuscuz paulista


cuscuz paulista.
para ver a receita, acesse o vídeo no youtube
prato fácil, rápido e gostoso. ótimo para uma reunião de amigos.

quinta-feira, julho 30, 2009

gravdlax


encontrei diversas escritas: gravlax (sueco), graved laks (dinamarquês), gravlaxs (norueguês), graaviholi (finlandês), graflax (islandês). (wikipedia)

enfim, não importa. são todos a mesma coisa. um salmão curtido, cortado finamente para servir.

minha receita vem do livro de técnicas culinárias do le cordon bleu (p. 63).

vamos lá:

- coloque dois filés de salmão de 900g com a pele para baixo em uma travessa de vidro. misture 75g de sal com 125g de açúcar e 2 colheres de chá de pimenta branca moída.

- polvilhe sobre um dos filés e espalhe um maço grande de endro picado (pode usar tmb erva doce).

- ponha o filé sem tempero sobre o outro (cuidando para a pele ficar por cima, ou seja, junte carne com carne).

- coloue um pedaço de papelão forrado de papel alumínio sobre os filés e pressione com um peso (uso lata de leite condensado, ou o que tiver e for pesadinho).

- deixe na geladeira por 3 dias, virando a cada 12 horas.

- para servir, corte finamente.

quando fiz, servi com uma salada de batatas e um molho tártaro.


curry thai

templo de bangkok - dezembro de 1996


adoro curry. como desde criança, o curry japonês (chamado de karê raisu - curry rice na versão japa). mas esta história e a receita, conto em outra oportunidade.

quero apresentar o curry tailandês.


a tailândia é uma maravilha de cores, cheiros e sabores. estive lá nas férias de final de ano de 1996, quando ainda morava no japão.


já comia comida thai em tóquio e já achava maravilhosa. adocicada, ardida, leve, refrescante... não conseguia identificar muito bem os temperos. sentia o frescor do coentro, gengibre, algo ácido como limão e pimenta, muita pimenta.


este curry que vou apresentar, conheci pela primeira vez na casa de uma filha de chineses nascida na malásia. ela usou uma pasta de curry verde tailandês (da fotinho), que eu costumo comprar em são paulo. mas acho que é possível fazer a pasta da seguinte forma (a quantidade deixo a cargo do gosto de cada um):


- pimenta malagueta (daquelas verdinhas pequeninas);


- capim limão;


- alho;


- sal;


- galangal (é um parente do gengibre. eu substituiria por ele, na falta de);


- pasta de camarão;


- casca de limão;


- semente de cominho;


- pimentão verde;


- cúrcuma.


simples de fazer.

500g de frango (preferencialmente, coxa e sobrecoxa desossada, mas pode usar peito);

2 beringelas;

2 cebolas;

1 pimentão verde;

2 vidrinhos de leite de coco (400ml);

1 pacote da pasta de curry (50g).


corte tudo em cubos grandes.

jogue um vidro de leite de coco na panela com a pasta de curry. mexa para dissolver.

coloque em seguida o frango cortado.

quando começar a ficar branquinho, coloque as cebolas. quando murcharem, coloque as beringelas e acrescente o restante do leite de coco.

aguarde a beringela cozinhar para, ao final, colocar o pimentão.

para quem tem problemas com pimenta, não é aconselhável usar a pasta. ela é muito, muito ardida.

neste caso, faça a sua própria com menos pimenta.

combina com arroz branco, de preferência, arroz japonês, aquele mais empapadinho.

quinta-feira, junho 18, 2009

ghee ou manteiga clarificada


pois é.

descobri essa maravilha através de uma apostila de comidas indianas vegetarianas que minha amiga natacha me deu.

é só pegar bastante manteiga boa sem sal (a última vez fiz com 800g), colocar em uma panela de fundo grosso e deixar derreter em fogo bem baixo (bem mesmo). a medida que vai esquentando, vai saindo uma espuma branca que fica na parte superior. vá tirando com uma escumadeira. tem que ser paciente pq o processo todo demora. a quantidade final de manteiga clarificada chega a 80% do total (20% vai para o lixo - essas coisinhas brancas da foto).

todos os resíduos que fazem mal à saúde saem neste processo. o que sobra é um líquido amarelo e transparente. além das diversas vantagens à saúde (vejam nesse site www.navrattna.com.br/blogs/altodaxv/?p=13), é super saboroso e pode ser reaproveitado. deve ser guardado em potes de vidro limpo e toda vez que sobrar do uso, é só peneirar em coador de café (aqueles descartáveis mesmo) e retornar ao vidro. pode ser guardado fora da geladeira. fica com uma cor esbranquiçada, mas não tem problema, não. dura um tempão. e é super saboroso!
td que for frito nele fica divino e sequinho.

avestruz ao molho apimentado de manteiga e ervas


almoço de hoje: avestruz ao molho apimentado de manteiga e ervas

estava só e não sabia o que fazer. tinha que esvaziar meu freezer e encontrei uma caixinha (de três) de carne de avestruz congelada. já vem filetadinho. quem nunca provou, prove. avestruz é uma grande ave, mas a carne é vermelha e deliciosa.

fiz um molho estranho, mas ficou bom.

- 1 cebola roxa pequena

- 2g de pimenta do reino branca

- 1/2 xc de chá de vinagre branco

- 150g de manteiga clarificada

- 2 gemas de ovo

- 3 colheres de sopa de salsinha e 3 de cebolinha picadas

- 1 pimenta dedo de moça;

- sal a gosto


- picar bem a cebola e colocar na panela com a pimenta e o vinagre;

- deixe reduzir. o fogo deve ser bem baixo;

- acrescente as gemas de ovo, mexa para incorporar;

- coloque a manteiga clarificada, as ervas e a pimenta picada, e mexa bem;

- estará pronto qdo se tornar um creme denso;

- experimente para colocar o sal. dependendo do paladar, pode nem precisar.


a carne de avestruz, como disse, já vem filetadinho. deixe descongelar, coloque um pouco de sal e azeite, misture e refogue rapidamente em um pouco de manteiga. não deixe ficar bem passado pq endurece. tem que ser mal passado mesmo.


coloque no prato os filezinhos e regue com o molho. comi acompanhado com batatas sauté. nada mal para uma quinta-feira. volto a falar sobre a manteiga clarificada.


segunda-feira, junho 15, 2009

torta búlgara



para quem me conhece, sabe que não sou muito boa para fazer doces e isso não é modéstia. acho para fazer doce é necessário um dom que eu não tenho. talvez porque eu não curta comer doce tanto quanto salgados. mas, de vez em quando, gosto de comer, mesmo que um pouquinho e também de fazer.

comi a um tempinho atrás, em um restaurante árabe muito bom que tem lá no salvador shopping (farid) , uma sobremesa dos deuses. torta búlgara. não sei a origem ainda (prometo procurar) e se realmente a gostosura vem da bulgária mesmo, mas não importa no momento. o que importa é que a coisa é muito boa, apesar de ser de chocolate (mais uma vez, quem me conhece, sabe que não me dou muito bem com chocolate, acredite se quiser). enfim, a coisa é boa mesmo e resolvi buscar na internet alguma receita. achei várias, como sempre, mas uma me pareceu mais autêntica, talvez devido ao depoimento. (http://pt.petitchef.com/receitas/o-misterio-da-torta-bulgara-fid-293018)

fiz meia receita (sou prevenida) e não coloquei a tal calda, que considero dispensável (comi com uma bola de sorvete de creme).

enfim, posso dizer que eu pagaria para comer o resultado. realmente, divina! ela fica com uma casquinha crocante em toda sua volta e a parte interna fica meio molhadinha. guardei na geladeira e para comer, é só cortar um pedaço, esquentar rapidamente no microondas e voilá! vai por mim. se até eu consegui fazer, qualquer um consegue. e pode apostar que vai fazer o maior sucesso!

como diz roberto: "eu voltei, agora pra ficar..."

a espera foi longa, eu sei.
mas foi por uma boa causa. terminei o mestrado, e estou repensando no rumo que minha vida vai tomar daqui para frente. estou com vontade de entrar em uma cozinha de verdade e aprender a suar o dolman.
em breve estarei de férias (mesmo que parciais) e poderei me dedicar às divagações com mais propriedade. estava pensando em fazer um curso de sampa, mas o frio está proibitivo. nada nem ninguém me faz passar frio outra vez em minha vida (aquela coisa meio scarlet ohara: "nunca mais vou passar frio em minha vida!!).
esta acolhedora e caliente terrinha de caymmi e caetano é onde escolhi para viver minha vidinha na minha cozinha e daqui eu não saio, daqui ninguém me tira!
vamos agora, de volta às comidinhas!

sexta-feira, agosto 08, 2008

manutenção na qualidade dos restaurantes

é algo que incomoda e é muito chato.
vc cria uma expectativa de voltar a comer aquela mesma comidinha gostosa que comeu antes e ainda por cima, leva alguém para degustar com vc. ocorre que nem todo o restaurante prima pela manutenção da boa qualidade do que serve e aí, vc e o seu acompanhante, dançam.
aconteceu comigo no lambreta grill. tinha ido uma vez lá e a comida era maravilhosa. adoro lambretas (para quem não sabe do que se trata, dê uma olhada nos posts antigos, mas é um tipo de marisco, um tipo de vôngole gigante) e comê-las de outra forma que não ensopadas, era algo inusitado. o lambreta grill, no rio vermelho, servia as bichinhas abertas, recheadas de temperinhos saborosos e muito azeite de oliva. comer com pãezinhos e uma cervejinha gelada era tudo de bom.
com essa imagem deliciosa, em uma oportunidade resolvi levar meu marido que não conhecia o local. a expectativa era grande uma vez que tinha ido lá a muitos anos e o gostinho bom ainda estava na minha mente.
qual não foi a surpresa quando apareceram lambretinhas que mais pareciam vôngoles, de tão pequenas. quem conhece os dois sabe o que quero dizer. as lembretas de bom tamanho chegam a ter a dimensão de moedas de R$1,00 e apareceram como R$0,10. inflacionadas!! fiquei (ficamos) frustrados. se o negócio se chama 'lambreta', supõe-se que sirvam boas lambretas. se não for época ou o fornecedor não conseguiu bons exemplares, que coloque duas em cada conchinha ou nem sirva! é muito feio este tipo de atitude de alguns restaurantes.

qualidade e a manutenção dela é tudo num negócio. conquistar um cliente não é fácil, mas perdê-lo é instantâneo. básico no marketing. um produto ruim não se mantém no mercado. o cliente pode ser enganado uma vez, mas será a última, certamente.
obviamente, não voltarei mais lá.

terça-feira, maio 13, 2008

pudim de leite (sem leite condensado!)

nunca tinha comido um pudim de leite sem leite condensado, mas sabia que deveria existir um. para quem me conhece, sabe que não sou expert nos doces. faço coisinhas bem básicas do tipo sorvete, gelatina, bolos simples, pavê, ... coisas que não demandam muita técnica. pudim, nem pensar! nunca tinha feito e o banho maria no forno era algo que me incomodava muito.
comprei um açúcar que tinha na embalagem uma receita que resolvi testar. e não é que deu certo?
por isso, para quem acha que não sabe fazer, tente esta receita. se até eu que não sei fazer doces fiz e ficou bom, tenho certeza de que qualquer pessoa será capaz de fazer.

- 1/2 litro de leite quente
- 6 colheres de açúcar
- 3 claras
- 6 gemas
- 1 colher de margarina
- uma pitada de essência de baunilha
- 8 colheres de açúcar para a calda

comece pela calda. coloque as 8 colheres de açúcar na forma de pudim (é legal usar aquela com um furo no meio) e leve ao fogo baixo. fique mexendo para não queimar. é um processo que demora um pouco, tem que ter paciência, mas vale o sacrifício. quando todo o açúcar derreter, estará pronto. deixe reservado.
bata no liquidificador as claras e as gemas.
acrescente a manteiga e o açúcar e bata mais um pouco.
coloque o leite quente aos poucos e vá batendo.
no final, acrescente a essência de baunilha.
coloque essa mistura na forma com a calda e leve para o forno em banho maria.
use uma travessa maior que a forma do pudim, coloque água até a metade e esquente o forno antes de colocar o pudim.
deixe cozinhar em fogo médio para alto. leva mais ou menos 45 minutos.
para ver se está bom, espete um palito ou um hashi. se sair limpo, é que está cozido. caso contrário, sairá com um pouquiho de massa molhada.
espere esfriar para desenformar.
tire as laterais grudadas com cuidado (use uma faquinha de manteiga), coloque um prato em cima e vire de vez.
não tem segredo. sai com facilidade, fica bonito e uma delícia!
pena que está sem fotinho... a câmera está sem lentes no momento.
fica por conta da imaginação.
bom proveito.

sábado, abril 26, 2008

ratatouille, a receita


agora, a receita do ratatouille.
como disse antes (ver o post de baixo), adaptei do meu jeito.

- 1 beringela grande
- 1 abobrinha tmb grande
- 1 cebola idem
- 1 pimentão verde
- 1 pimentão vermelho
- 1 pimentão amarelo
- 2 tomates maduros, mas firmes
- 3 dentes de alho
- azeite
- sal
- tomilho seco ou fresco

corte a beringela e a abobrinha em rodelas de 0,5 cm de espessura.
a cebola deve ser cortada em 8 partes (corte ao meio, depois o meio o do meio e assim por diante)
os pimentões, corte em cubos de uns 2 cm
os tomates devem estar sem as sementes e cortadas em 8 como a cebola

coloque um pouco de azeite na frigideira e frite primeiro os legumes (beringela e abobrinha).
coloque em uma travessa refratária, uma camada de legumes de cada vez.
faça o mesmo com os pimentões, a cebola e o tomate, fritando com pouco óleo um ingrediente por vez. salpique um pouco de sal em cada camada.
por fim, corte o alho ao meio sem tirar a casca e espalhe na travessa junto com o tomilho.
leve ao forno para secar um pouco (20 minutos).
pode servir frio ou quente no pãozinho ou comer assim mesmo, ou ... enfim, solte a imaginação e aproveite o prato do ratinho!

ratatouille, um pouco de história


lembrou do filme, por supuesto.
se não fosse por ele, certamente este pratinho simples da culinária francesa ficaria à mercê do esquecimento e do desconhecimento.
confesso que eu também não tinha conhecimento dele. e confesso novamente que nunca comi um "verdadeiro". aqueles pratos que vemos em receitas e resolvemos fazer sem ter experimentado antes. pode dar uma boa coisa ou não, mas de qualquer forma, não sabemos o sabor verdadeiro do prato.
não creio que tenha muito segredo, uma vez que os ingredientes e tempero são bem simples e básicos. não tem com não ficar bom!
novamente, minha adaptação após me deparar com inúmeras receitas.

mas antes, um momento de cultura:
segundo silvio lancelotti, naquele livro que considero uma bíblia no que se refere a originalidade dos pratos clássicos, o ratatouille é derivado da caponata siciliana, uma mistura de diversos legumes temperado com vinagre, ingrediente que não vai na versão francesa, que tem o acréscimo de alho (hummm....!!). o prato seguiu o mediterrâneo ao norte durante o renascimento e foi parar em nice, no período da dominação italiana. a origem do nome vem de touiller - remexer en français!

dobradinha com grão de bico


dobradinha, buchada... o nome não importa. é tudo estômago de boi, vaca,... argh?? nãaaaao! nham, nham! é muito bom!
lembro que quando morava no japão, depois de anos sem comer dobradinha, pedi para minha mãe fazer quando esteve me visitando. encontramos bucho em uma rua de ueno em tóquio, onde se pode ver diversos produtos "exóticos".
resolvi fazer uma versão minha. se vai ficar igual ao da mamma, digo depois que comer. o bucho está no fogo ainda.
ah! é minha primeira buchada. será que a primeira buchada a gente nunca esquece??

ingredientes:
- 700g de bucho
- 300g de linguiça (pode ser paio ou outra defumada)
- 300g de bacon
- 500g de grão de bico
- 1 xícara de molho de tomate ou 2 xícaras de tomates maduros picados
- 3 batatas grandes descascadas e cortadas em pedaços grandes
- 2 cenouras grandes descascadas e cortadas em rodelas grandes
- 1 pimentão verde e 1 vermelho sem as sementes, cortados em meia-rodelas
- 1 cebola grande picadinha
- 3 dentes de alho picados
- 1 limão
- sal a gosto

o bucho que comprei já veio limpo, o que é uma grande vantagem.
joguei o caldo do limão para tirar o cheirinho.
cozinhei o grão de bico na pressão por 30 minutos.
afervetei o bacon e a linguiça para tirar o excesso de sal e gordura, mas deixei um pedacinho de bacon para refogar.
piquei o bacon e coloquei na panela de pressão para sair a gordura (que usei para refogar).
coloquei primeiro o bacon in natura para depois acrescentar o que foi aferventado (tirar bem a água).
sai uma boa quantidade de gordura que usei para refogar primeiro a cebola picadinha e depois, o alho.
coloquei o bucho cortadinho em tiras de 1 cm, mais ou menos, mexi bem, esperei esquentar bem e coloquei água até cobrir.
tampei a pressão e vou deixar cozinhando por 30 minutos.
escrevo assim porque estou em processo. a pressão está fazendo barulho e creio que daqui a pouco o timer vai me avisar do término da meia hora.
vou pegar a linguiça que está cortada em rodelas de 1cm mais ou menos, o grão de bico, as batatas, as cenouras, os pimentões, e o molho de tomate (ou os tomates picados) e vou jogar tudo dentro do bucho que espero estar ficando mole.
peraí que o timer tocou. já volto.

voltei.

o bucho já está mole e acrescentei as outras coisas com um pouco de sal para os sabores se misturarem.
vou cozinhar até que tudo fique bem cozido e o caldo mais espesso.
para servir, vou fazer um arrozinho branco e um molhinho de pimenta (que vou colher na minha pimenteira. xiqui!).

domingo, abril 13, 2008

cabana da cely

bons lugares para se comer precisam ser divulgados. principalmente quando além da comida, o serviço também é dez. quem conhece os serviços de grande parte dos restaurantes daqui de salvador e adjacências sabe do que eu estou falando. infelizmente, são poucos os locais onde se come bem e o serviço também faz juz. assim, quando tem algum que atende a esses requisitos, faço questão de falar sobre ele.
a cabana na cely. são dois points, um em salvador, na praia de patamares e outra, a pioneira, em lauro de freitas. é como se fosse uma barraca de praia, só que não fica na praia.

(parênteses a quem não é local e desconhece uma "barraca de praia". aqui, as praias são tomadas por barzinhos na areia, onde são servidos diversos petiscos e claro, uma cervejinha geladinha, uma roska de frutas locais e até whisky para o meu pai. o povo daqui não costuma ficar lagarixando na areia, como eu ficava no guarujá. praia é sinônimo de cerveja e de barraca e uma boa praia, é medida pela qualidade da barraca).

o menu já foi mais extenso, mas concordo plenamente com o fato de estar enxuto. cerveja geladíssima (bohemia, claro), e como entrada, lambreta (da qual já falei sobre aqui neste blog). nada daquelas lambretinhas miúdas e cheias de areia que encontramos nas praias. grandes e muito bem preparadas, no ponto mesmo. uma boa lambreta é cozida com pouco sal, muita cebola e um pouco de coentro. o caldo também estava muito saboroso (é servido o caldinho onde a lambreta foi cozida em um copinho que trazem à parte). pedimos também um pastel de bacalhau e outro de carangueijo. divino! pastel sequinho, muito bem recheado (nada a dever para aqueles pastéis do mercado municipal de sampa), massa no ponto (nem muito fina nem muito grossa), enfim, saborosíssimo.
e para completar, comemos um escondidinho de camarão. não sei se já falei sobre o que é escondidinho. acho que sim. como o nome diz, é camarão escondido em um monte de purê de aipim. fazer camarão não é algo fácil, apesar de parecer ser. o dito cujo é muito delicado e não pode se cozido por mais de 7 minutos, caso contrário, vira uma borrachinha (inha mesmo, porque some, fica minúsculo). o da cely estava no ponto. o purê leve, sem aquele exagero de manteiga que alguns lugares cometem, e os camarões, bem limpos (sem aquela tripinha das costas), e principalmente com a textura perfeita.
aliás, para quem gosta de camarão e quer se fartar, lá tem um prato que se chama mistão de camarão. eles dizem que dá para 3 pessoas, mas diria que dá até para 4. camarão cozido, frito de dois tipos, moqueca,... muito bem preparado e por um preço super honesto. camarão fresco para comprar e fazer em casa não sai nada barato e dá trabalho. assim, quando estou a fim de comer camarão, prefiro ir a um lugar assim. e não me arrependo.
além da comida perfeita, não posso deixar de falar do serviço. o local é bem grande com vários garçons circulando. chegamos e o garçon responsável já se ligou que estávamos lá. ajeitou a mesa e trouxe logo a cerveja geladinha. os pedidos foram chegando no momento certo e sempre que precisávamos pedir algo, lá estava o baixinho de olho na nossa mesa. coisa rara, pois o mais comum é garçon correndo para cima e para baixo sem nem olhar por onde está passando e deixando as mesas a ver navios.

como disse antes, um lugar como esse, com boa comida e bom serviço é raro ainda por essas bandas. por isso, acho que faz parte da obrigação divulgar para que outros copiem e isso deixe de ser algo de outro mundo.

segunda-feira, abril 07, 2008

cannelloni, a origem

encontrei no livro de sílvio lancelotti, cozinha clássica, já comentado neste blog, a origem do canelone, ou cannellone (singular) e cannelloni (plural).
o nome se origina de cano ou canudo, como era de se esperar pelo formato da coisa e existe na itália desde dois mil anos atrás. lembrando que aquela história de marco polo levando a pasta para a itália é balela.
nessa época, existia já a panqueca e também o laganum, que deu origem à nossa maravilhosa lasanha. o canelone foi inspirado no escorrimento das águas no aquedutos romanos.
vou reproduzir o livro a seguir:
"o recheio clássico, mas tradicional, leva carne, ovos e queijo, o conjunto eternamente terminado no calor de um forno. hoje, porém, tudo serve no interior de um cannellone (singular) ou de vários cannelloni (plural), até mesmo os frutos do mar, novidade da cozinha moderna da itália. um sucedâneo dessa modernização são os chamados toccheti - ou canudos cortados em pedaços menorzinhos. embora tocco, na realidade, signifique ' barrete, chapeuzinho ou carapuça', vale o lance de rejuvenecimento" (LANCELOTTI, 2003).

canelone (ou cannellone)

fiz canelone ontem, desde a massa. eu, como boa paulistana da gema e de famiglia genuinamente paulistana que fala com "as mão" e fala alto, desde criança, passava os domingos fazendo lazanha com meu pai, enquanto minha mãe fazia o molho de tomate com quilos de tomates comprados na feira. não, não é piada. é a mais pura desmistificação de mais um estereótipo de japoneses.

sempre quis manter esta tradição, mas por falta de espaço, nunca tinha feito massa em casa. me contentava com algumas marcas italianas, muito boas, por sinal.

ontem, resolvi fazer. a idéias inicial era fazer talharine para comer com molho pesto, pois tinha muito manjericão. não sei porque, mudei para canelone.

a massa, adaptei a receita do livro "técnicas culinárias do le cordon bleu".
com essa massa pode fazer qualquer tipo de massa (talharine, ravioli, lazanha...)

- 300g de farinha de trigo

- 3 ovos (a proporção é sempre 1 ovo para cada 100g de farinha)

- uma pitada de sal

- 1 colher de sopa de azeite

misture tudo. se a massa demorar a ficar homogênea, coloque um pouquinho (bem pouquinho mesmo) de água. amasse por pelo menos 20 minutos até que fique lisa e elástica.
faça uma bola e deixe coberta por 1 hora (preferencialmente sobre a pia, com uma travessa de vidro sobre).
divida a massa em dois pedaços e comece a amassar com o rolo.
tente fazer um quadrado ou um retângulo. confesso que tentei e não consegui e meus canelones ficaram desiguais. acho que é uma questão de prática.
corte em quadrados de 10cm aproximadamente.
aqueça água em uma panela e coloque um pouco de óleo e sal.
assim que ferver, coloque os quadradinhos aos poucos e deixe cozinhar por apenas 1 minuto.
seque sobre um pano para depois rechear.

opção de recheio: ricota com castanhas
era o que eu tinha na geladeira.
1 ricota de 400g
1/2 caxinha de creme de leite
1/2 xícara de castanhas de caju picadas
uma pitada de sal
misture todos os ingredientes cuidando para amassar bem a ricota e incorporar todos os itens.
coloque esse recheio na massa e enrole para formar um canudo grosso.

opção de molho: tomate
molho simples de tomate.
refogue 1 cebola picada, 2 dentes de alho e jogue o molho de tomate com uma pitada de sal. jogue esse molho sobre o canelone e salpique queijo ralado. leve ao forno e bon apetit!

quarta-feira, abril 02, 2008

o que é gastronomia?

pois é. estou fazendo um curso de gastronomia e vivo me perguntando o que exatamente é essa tal gastronomia. não é simplesmente "arte culinária". o aurélio define como "a arte de cozinhar de maneira a proporcionar maior prazer a quem come". não li diretamente no dicionário, mas ainda acho muito pouco.
prometo fazer pesquisa mais aprofundada sobre o assunto, mas por enquanto, para mim, gastronomia engloba aspectos culturais, no sentido antropológico do termo além de técnicas específicas para a confecção dos pratos. quem gosta de cozinhar por diletantismo sabe que dificilmente segue uma receita à risca (a não ser no caso dos doces que é química pura) principalmente em relação às medidas. assim, cada vez que faz o mesmo prato, dificilmente fica igual. agora, imagine um restaurante? imagine comer um prato divino, retornar para degustar a mesma iguaria e se deparar com algo diferente? dificilmente eu voltaria num lugar assim. daí a necessidade das técnicas.
eu confesso que nunca tinha pensado desta forma, mas até agora só usava a cozinha como diversão minha e deleite de alguns convidados. se for pensar de uma forma mais séria sobre a arte de cozinhar, se tiver que ganhar dinheiro com isso, preciso repensar e criar mesmo um padrão. e aprender as técnicas. e ter uma balança para pesar. e saber calcular a quantidade de comida ideal para o número de pessoas (coisa eu não consigo fazer de jeito nenhum! fiz um jantar esperando 30 pessoas, apareceram 20 e sobrou comida para mais umas 20!).
estou começando ainda o curso e pretendo estar apta a fazer tudo direitinho até eu me formar. enquanto isso, vou treinando e me aperfeiçoando. devagar e sempre!

ceviche


comi ceviche pela primeira vez no japão, pelas mãos da minha colega miriam, peruana que estava comigo em hiroshima. se não me engano, era ceviche de sardinha. achei maravilhoso!
tem um restaurante japonês em alguns dos shoppings daqui da salvador, o tokai, que faz um ceviche divino. não é, claro, comida japonesa, mas eu perdôo pela qualidade. acho que colocaram no cardápio por ser peixe cru também. nunca tinha tido coragem de fazer, mesmo porque não sabia se ficaria bom com peixe congelado (em são paulo é muito mais fácil e seguro comprar peixe fresco).
vamos à receita.
ingredientes:
- 1 kg de filé de peixe de carne branca e firme (é possível fazer com salmão ou atum. eu usei desta vez, filés de pescada);
- 5 a 6 kani kama;
- 3 a 4 limões suculentos;
- 1 pimenta dedo de moça;
- 1 cebola cortada à julienne;
- sal à gosto.
Modo de fazer:
corte o filé em cubinhos pequenos e o kani kama em rodelas de uns 3 cm;
esprema os limões sobre eles, acrescentando a pimenta picada, a cebola e o sal;
deixe marinar na geladeira por no mínimo 2 horas.
na hora de servir, use pimenta biquinho para enfeitar, além de ser uma delícia.
bon apetit!

sábado, março 15, 2008

sushis e sashimis do brasil

fiquei sem voltar ao brasil 6 anos, quando fui ao japão. quando voltei, lembro de ter ido com a minha família em um restaurante japonês em moema. um que era considerado muito bom. quando comi o sashimi de lá, quase boto pra fora. primeira coisa que senti. o shoyu daqui é muito salgado e sem sabor. e quando colocado no sushi, você só sente esse gosto salgado, sem sentir o gosto do arroz e do peixe. um horror! para quebrar a má experiência, meu pai me levou lá no bexiga, naquele japonês que citei antes, o kinoshita. lá, serviram o sushi com um shoyu japonês, kikkoman. outra coisa! sem a menor chance de comparar os dois.

bom, quando falamos em sushi, começamos com o shoyu. o sakura, o mais comum por aqui, é, como disse, salgado e só. eu faço uso dele por falta de opção, mas quando encontro o kikkoman, que é importado e carésimo, compro sim, porque vale o preço.

sushi é algo tradicional do japão, portanto qualquer invenção é invenção. lá, só comi uma invenção que era uma salada de frutos do mar com maionese. nem o califórnia você encontra por lá. coisa de japa americano. e aqui, inventaram que sushi tem que ter cream cheese. o que é isso?? você só sente o gosto do cream cheese e desta forma, o recheio pode ser qualquer coisa. sushi em restaurante "por kilo" é o fim da picada! só não sei se é pior do que sushi em buffet de churrascaria. é páreo duro escolher qual é o pior.

em sampa, devido à colônia japonesa, existem diversos bons restaurantes japoneses. aqui em salvador, a coisa se complica um pouco. existem muitos, sim. mas de qualidade, que eu recomendo, somente dois: o sukiyaki e o aice. o sukiyaki é o mais tradicionalzão, com um cardápio mais variado e com o sabor da casa da mamãe. o aice é mais sofisticado, tanto em termos de ambiente quanto de cardápio. inventam algumas coisas, mas ainda é honesto. e o sabor é bom, realmente. ah! esqueci de um que gosto muito por ser inovador. o tokai, que tem em alguns shoppings. inventaram alguns pratos que funcionaram. gosto muito, apesar de não poder chamá-lo de restaurante japonês. os outros ditos japas, argh! não valem o que cobram. o problema é que a falta de referência faz com que as pessoas adorem qualquer coisa, inclusive os sushis em churrascaria. nada contra, mas não me convide.

e o sushi e o sashimi? come quando?

pois é.
o sushi e o sashimi sempre foi uma comida de festa, ou de ocasiões especiais. isso porque no japão é muito caro, principalmente quando se trata de um sushi ya (restaurantes de sushi) bom. ocorre que houve uma popularização do sushi, principalmente, com os restaurantes de kaiten zushi (pratinhos de sushi são colocados em um esteirinha rolante que fica cirulando em um balcão onde as pessoas pegam o que querem comer). esses são bem acessíveis a todos fazendo com que se possa comer sushi a toda e qualquer hora. mesmo assim, o japonês sabe o que é bom e quando o bolso permite, vai em um desses sushiyas.

(aqui faço um rápido parêntese. os restaurantes japoneses lá são separados pela especialidade. você jamais vai conseguir pedir um yakissoba no mesmo lugar que pede um sushi. há restaurantes só de sukiyaki, só de teppan - aquelas chapas - só de yakitori, e só de sushi/sashimi).

um bom sushiya não tem cardápio. isso porque o sushiman vai servir o que encontrou de melhor no mercado naquela manhã. não se come sushi na hora do almoço. somente no jantar (não estou me referindo aos kaiten zushi). voltando ao cardápio, a maioria dos japoneses têm noção do quanto custa cada tipo de peixe servido por um sushiman. por isso, um cardápio não se faz necessário, mesmo porque os valores dependem da aquisição do dia. jamais um aji será mais caro que um toro. assim, quem pede toro sabe que vai pagar mais caro de quem pediu aji. toro é a parte nobre do atum, tipo a picanha do atum. é mais godurosa e consequentemente, mais saborosa. aqui no brasil comi uma vez em um restaurante japa no bexiga (isso mesmo, no bairro italiano mesmo), chamado kinoshita. ainda um dos poucos com sushiman importado. mas o toro não era tão bom quanto o do japão...

eu pude ter a oportunidade de frequentar bons sushiyas em tóquio. tinha um bem perto de casa, em ikebukuro, onde ia pelo menos uma vez por semana. gastava sozinha, na época, uns 60 dólares. bebendo saquê ou cerveja (normalmente era saquê). e isso em um sushiya bom, mas não um dos melhores. fui em um com o meu chefe, o dono da agência de publicidade onde trabalhei. tive a sorte, um dia, de estar trabalhando até tarde e ele me convidou para ir a um bom sushiya. é que no dia seguinte, ele levaria um cliente lá e queria ir antes para experimentar se realmente era bom. ma-ra-vi-lho-so! nos sentamos no balcão (onde normalmente se senta, em frente ao sushiman), e logo fui servida por iguarias que não conseguiria definir. só sei que comi muita coisa boa, bebi um saquê maravilhoso e saí feliz da vida, principalmente por não ter pago a conta.

existem sushimans bem mal-encarados. do tipo que não tem cardápio e nem quer saber o que vc quer ou não comer. sentou no balcão, vai ter que comer o que ele servir, sem reclamar. alguns japoneses acham que tem uma sequência certa para se pedir o sushi. eu ainda vou averiguar, mas acho que tem a sua lógica. não sei qual a sequência certa, mas dizem que os peixes de carne e sabor mais suaves, como os de carne branca, devem ser pedidos no início, pois o seu paladar ainda não está viciado e poderá degustar melhor. depois, os chamados "brilhantes" - hikarimono, tipo saba, aji, ... e por fim, os nobres tipo toro de salmão e de atum. eu concordo porque se comer o toro no início, o peixe de carne branca vai perder totalmente o sabor.

falo na sequência um pouco sobre os sushis daqui do brasil.